O esquecimento do passado – A felicidade não é deste mundo(41)

 

Abordagens e Instruções :

 

1.      O Amor puro é estrela fulgurante que ilumina o ser, quando este sabe dar sem nada pedir em troca.

2.      O despertamento sempre ocorre numa das etapas da vida, quando as paixões e os desenganos começam a declinar, quando a inteligência e a razão se afirmam, o homem examina-se e rompe com o passado. Busca sua origem, natureza e destino – começa então a libertação interior.

3.      Nem todo mundo pode crer, profundamente, por falta das quatro bases: Evolução, Reencarnação, Carma, Darma – dever e religião.

4.      Supõem-se serem os sacerdotes e pastores os vínculos de ligação entre Deus e as criaturas, quando na verdade são mais barreiras, devido a baixa espiritualidade; são homens comuns que na maioria das vezes ainda não encontraram o caminho oculto do Cristo Interno, e querem ensinar aos outros. Cada um deve encontrar o caminho do religare. 

5.      As autoridades eclesiásticas de todas as religiões não podem aceitar que Deus e seres superiores apareçam e desenvolvam milagres que não sejam através de Papas, Cardeais, Bispos , Vigários, Pastores, etc...

6.       O exemplo de Joana D’Arc, João Hous, Jesus, Santa Teresa, Inácio de Loiola e outros que tiveram confrontação com os “superiores”... A mediocridade teológica impede a visão real das realidades do Espírito.

 Máximas :

 

        Aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado.

        Vinde a Mim vós que estais aflitos e sobrecarregados que Eu vos aliviarei, pois meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

        Não se turbe o vosso coração, crede em Deus, crede em Mim. Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos.

        Eu e o Pai somos um.   

 O esquecimento do passado

 

            Em vão se objeta que o esquecimento constitui obstáculo a que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores.  Havendo Deus entendido de lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem.  Com efeito, a lembrança traria gravíssimos inconvenientes.  Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio.  Em todas as circunstancias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais.

            Freqüentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito.  Se reconhecesse nelas as a quem odiara, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no íntimo.  De todo modo, ele se sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido.

            Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta:  a voz da consciência e as tendências instintivas.  Priva-nos do que nos seria prejudicial.

            Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu, nasce qual se fez; em cada existência, tem um novo ponto de partida.  Pouco lhe importa saber o que foi antes:  se se vê punido, é que praticou o mal.  Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará.  As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações.

            Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea.  Volvendo à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; nada mais há, portanto, do que uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono, a qual não obsta a que, no dia seguinte, nos recordemos do que tenhamos feito na véspera e nos dias precedentes.

            E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado.  Pode dizer-se que jamais a perde, pois que como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência de seus atos anteriores; sabe porque sofre e que sofre com justiça.  A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação.  Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes de emancipação da alma, se os sabe aproveitar.                                                                      

 

  

A felicidade não é deste mundo

  

Não sou feliz!  A felicidade não foi feita para mim!  Exclama geralmente o homem em todas as posições sociais.  Isso, meus caros filhos, prova, melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”.  Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade.  Digo mais:  nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram.

            Diante de tal fato, é incontestável que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta ânsia a posição das que parecem favorecidas da fortuna.  Neste mundo, por mais que faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de decepções, donde facilmente se chega a conclusão de que a Terra é lugar de provas e de expiações.

            Assim, pois, os que pregam que ela é a única morada do homem e que somente nela e numa só existência é que lhe cumpre alcançar o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam os que os escutam, visto que demonstrado está, por experiência arqui-secular, que só excepcionalmente este globo apresenta as condições necessárias à completa felicidade do indivíduo.

            Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la.  Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.

            O em que consiste a felicidade na Terra é coisa tão efêmera para aquele que não tem a guiá-lo a ponderação, que, por um ano, um mês, uma semana de satisfação completa, todo o resto da existência é uma série de amarguras e decepções.  E notai, meus caros filhos, que falo dos venturosos da Terra, dos que são invejados pela multidão.

            Conseguintemente, se à morada terrena são peculiares as provas e a expiação, forçoso é se admita que, algures, moradas há mais favorecidas, onde o Espírito, conquanto aprisionado ainda numa carne material, possui em toda a plenitude os gozos inerentes à vida humana.  Tal a razão porque Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando vos achardes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

            Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária.  Não, certamente!  Dos progressos já realizados, podeis facilmente deduzir os progressos futuros e, dos melhoramentos sociais conseguidos, novos e mais fecundos melhoramentos.  Essa a tarefa imensa cuja execução cabe à nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.

            Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime e que cada um de vós se despoje do homem velho.  Deveis todos consagrar-vos à propagação desse Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração.  Corre-vos o dever de fazer que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz.  Mãos, portanto, à obra, meus muito queridos filhos!  Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse glorioso objetivo de preparar para as gerações porvindouras um mundo onde já não seja vã a palavra felicidade. (François-Nicolas-Madeleine, Cardeal Morlot / Paris 1863).

 

 

A VIDA HUMANA E O ESPÍRITO IMORTAL

 

 

            RAMATIS: O Espiritismo, como doutrina codificada para a divulgação popular da realidade espiritual, é também a fonte de Amor vinculada à aura amorosa do Cristo Planetário da Terra! Cumprindo-lhe efetuar determinadas correções no dogmatismo excessivo e crença supersticiosa dos terrícolas, então rejeita símbolos, fórmulas misteriosas, liturgias cansativas e o manuseio de objetos adorativos, a fim de que os seus adeptos entrem em contato mais rápido com a fonte crística da vivência humana! Enquanto os religiosos dogmáticos demoram mais tempo entretidos nas cerimônias litúrgicas ou obrigações doutrinistas do mundo, os espíritas podem conseguir melhor aproveitamento de tempo na busca da Realidade Espiritual, mais pela “ação” do que pela “adoração”! As religiões são como os caminhos do mundo: quanto menos atravancamento de calhaus e toiceiras de mato, o viadante chega mais breve ao seu destino!

            Pouco importa quanto à comprovação do conceito se o Espiritismo é ou não é Religião; mas é fundamental que os seus adeptos consigam viver o universalismo do amor crístico ilimitado, sem transformá-lo numa doutrina religiosa tão primária e sectarista quanto às demais organizações religiosas já existentes. Antes de ser mais um competidor na arena das discussões e dos desentendimentos religiosos do mundo, o Espiritismo deve ser um denominador comum dos homens interessados em usufruir a autenticidade de sua natureza espiritual. Estão completamente errados os líderes e adeptos espírita que pregam a doutrina nim contraste agressivo com os demais credos e doutrinas vigentes! Disso resultam inimizades, desgostos e humilhações alheias, completamente opostos ao sentido amoroso e universalista do Espiritismo!

 

            PERGUNTA: Podereis explicar-nos melhor esse assunto?

 

            RAMATIS: É tão censurável o fanatismo extremista de ritos, dogmas, crendices, adorações e superstições imposto por algumas seitas religiosas, assim como o extremismo fanático do “não-dogma”, ”não-rito”, “não crendice” ou “não-adoração”, que muitos espíritas defendem a paus e pedras, humilhando e antipatizando os demais crentes da mesma fantasia religiosa que também cultuaram alhures! Deus não especificou “dogmas” e “não-dogmas”, para atender a determinados grupos de indivíduos, mas criou a escola do Universo para os filhos alfabetizarem-se na conversação amorosa com o Pai! Todas as coisas são boas e úteis no seu devido tempo, por cujo motivo o próximo deve ser respeitado em sua crença, porque ele faz o melhor que pode, dentro do melhor que sabe! No campo do espiritualismo e da religiosidade do mundo, o Espiritismo deve contribuir com a sua generosa mensagem espiritual moderna para o esclarecimento humano, jamais na figura de um novo competidor belicoso na arena dos conflitos religiosos!

            PERGUNTA: Mas o espiritismo sendo um  movimento de libertação espiritual das massas, não deve esclarecer os homens contra os “tabus” religiosos do passado?

 

            RAMATIS: O Espiritismo é doutrina codificada por Allan Kardec no sentido de descondicionar a massa popular, libertá-la de preceitos, obrigações e superstições, milagres, tabus, dogmas e preconceitos religiosos, evitando que os homens tolos continuem a ser explorados religiosamente pelos mais espertos. Mas, acima de tudo, é um preparador do terreno apropriado para medrar a mensagem de maior importância, qual seja, exercitar o homem para viver a linhagem fundamental do espírito crístico!

            As seitas religiosas, em geral, só orientam os seus fiéis para cultuarem fórmulas devocionais já devidamente selecionadas e liberadas pela chancela dos seus mentores e líderes; no entanto, proíbem os próprios adeptos de discutirem ou se oporem ao que lhes é ensinado peremptoriamente. O Papa é infalível para os católicos, os prpofetas são intocáveis para os protestantes, Kardec é indiscutível para os espíritas, enquanto os teosofistas e rosacrucianos, respectivamente, nada aceitam que contrarie Helena Blavatsky e Max Handel!

            O Espiritismo não foi codificado para competir ou discutir com os demais credos i impor-lhes os conceitos exclusivos de Allan Kardec. É um movimento espiritualista, cujos preceitos fundamentais devem reajustar-se com a própria evolução da Ciência e o progresso técnico do mundo, sem estratificar-se no tempo e espaço, como acontece com o Catolicismo e o Protestantismo. Infelizmente, as doutrinas e religiões fracassam ante a obstinação dos próprios adeptos e discípulos fanáticos, que se defendem com unhas e dentes, contra tudo que adquire novos foros no progresso natural da civilização e que contrarie o seu modo de vida religiosa!

            O Cristianismo foi mensagem sublime e universalista, que oferecia na sua época a mais salutar medicação para todos os males da humanidade; mas assim que os homens o formalizaram como seita ou organização religiosa, ele cristalizou-se sob o calendário terreno na forma do Catolicismo; e, posteriormente, nas ramificações sectaristas protestantes. Tudo isso aconteceu por culpa exclusiva dos seus representantes autorizados, sacerdotes conservadores, exclusivistas, divorciados do progresso técnico e científico do mundo, cuja teimosia é responsável pela aflição e urgência com que a Igreja Católica tenta adaptar-se apressadamente ao modernismo, a ponto de fazer concessões ridículas, como no caso de missas de “iê-iê-iê”! Jamais a música redigida para fazer vibrar a musculatura do corpo físico poderá inspirar e dinamizar as energias do espírito; o ritmo sincopado e turbulento identifica a vivência do mundo profano, mas é chocante na atmosfera tranqüila e sedativa do templo religioso, que proclama a vida oculta do anjo! O “iê-iê-iê” não substitui, de modo algum, as tocatas e fugas de Bach, a Coral de Beethoven, os oratórios de Handel, as missas de Haydn e Verdi e outros compositores, cuja força sonora impessoaliza o homem no seio da Criação!

 

 

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